quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Falar de dinheiro em família - Transformar essa conversa em algo leve e positivo dentro de casa pode render frutos para toda a vida


 
Foto: Reprodução
Falar de dinheiro não é - ou não deveria ser - um bicho de sete cabeças. É perfeitamente possível ter diálogos francos e positivos sobre o assunto. Isso envolve prática, mas a educação também ajuda. É importante abordar de maneira racional as questões que envolvem planejamento, orçamento e investimentos.

Quando o assunto surge nas rodas familiares, é preciso ouvir com atenção e compaixão as histórias para evitar que um bate papo se torne uma discussão.

Mas essa ainda parece não ser a realidade da maioria das famílias brasileiras. Acreditando que quanto mais falarmos e entendermos sobre determinado assunto, mais leve ele se torna, o banco BV resolveu promover essas conversas. Quem puxa o assunto é a embaixadora da marca, a atriz Taís Araújo, junto com outros artistas, influenciadores e gente como a gente.

O papo sobre finanças pode ser raro em algumas famílias. Mas não precisa ser assim. Confira abaixo algumas dicas para que a conversa sobre dinheiro dentro de casa possa ser produtiva, educativa e, acima de tudo, leve.


Não existe uma idade ideal para introduzir o assunto, embora desde cedo as crianças já entendam o que o significado e a importância do dinheiro. David Anderson, psicólogo do Child Mind Institute, sugere que as conversas comecem por volta dos sete ou oito anos. "É quando elas já têm habilidades matemáticas suficientes para entender certos conceitos", afirma Anderson.

Isso não significa sentar seus filhos diante de uma planilha com todos as despesas da casa, é claro. Uma maneira recomendada pelos especialistas é começar com coisas práticas. Uma sugestão é envolve-los nas compras de supermercado, por exemplo, mostrando como se comparam preços. Outra ideia é definir um orçamento para as guloseimas e negociar com eles quais serão as escolhas que cabem no valor determinado.


Outro ponto importante é que a criança comece a entender que preço e valor são coisas diferentes. Por que um chocolate custa tão mais caro que outro? É por causa da marca? Dos ingredientes usados, como talvez cacau orgânico? Trazer o tema abstrato para a realidade imediata é uma maneira de introduzir o assunto de forma gradual e leve.

Essa atitude também ajuda a superar uma questão cultural presente no mundo todo: a maioria dos pais evita falar de dinheiro com os filhos. Segundo pesquisa da T.Rowe Price, gestora de recursos americana, divulgada em 2017, quase 69% dos pais entrevistados disseram relutar em abordar o assunto com as crianças.

A skatista olímpica Pâmela Rosa, de 22 anos, em uma das conversas promovidas pelo banco BV diz que o tema não era parte da vida familiar.

Ela sabia que a família tinha uma vida financeira difícil - o primeiro skate foi comprado pela mãe com o dinheiro separado para pagar as contas de água e luz. "Quanto mais se falar no assunto, mais leve ele fica. Assim como o skate, que era um esporte marginalizado. [Porém] voltei das Olimpíadas, e só se fala em skate", diz a atleta.


A palavra final sempre caberá aos adultos, mas é importante que os pequenos também possam opinar. Isso ajuda a fazê-los entender quais são as consequências das decisões financeiras tomadas pela família. Projetos que possam exigir economia, como uma viagem de férias, um carro novo ou uma reforma na casa, são uma boa oportunidade para explicar o valor do planejamento.

Como tudo o que diz respeito às conversas que envolvem dinheiro, focar em metas concretas e tangíveis é a melhor maneira para que o tom seja positivo e construtivo. Seus filhos não precisam saber os valores exatos de quanto você ganha de salário ou quanto gasta de gasolina por mês. O mais importante é que ele entenda conceitos como orçamento, despesas e poupança.


Kimberly Palmer, autora do livro sobre educação financeira de crianças "Smart Mom, Rich Mom" (sem tradução para o português), diz que a mesada é uma das ferramentas mais básicas para falar de dinheiro com os filhos. Mais importante que o valor, diz ela, "é a oportunidade que ela representa para falar de dinheiro e de como administrá-lo".

Algumas famílias condicionam a mesada aos trabalhos domésticos: arrumar o quarto ou ajudar a lavar a louça. Outras não impõem condições. O modelo mais adequado, acreditam alguns especialistas, é um híbrido. Ajudar a manter a casa organizada não é uma escolha, portanto a criança não deveria ter a opção de não fazê-lo. Mas uma parte da mesada pode estar condicionada a algumas tarefas extra, como dar banho no cachorro ou ajudar na faxina. Essas são algumas dicas abordadas por Kimberly no livro.

Não existe modelo correto, afirmam os especialistas. Respeitando as condições financeiras e os valores familiares, o importante é aproveitar a mesada como uma oportunidade educativa, que ajude a tirar o peso e o tabu que costumam cercar o assunto dinheiro.


Os especialistas em finanças são unânimes ao afirmar que muitos dos nossos comportamentos da vida adulta em relação ao dinheiro se formam na infância e adolescência. Isso é verdade no que diz respeito ao gastar dinheiro, mas também à nossa capacidade de conversar sobre o assunto.

O ator e cantor Thiago Martins nasceu e cresceu no morro do Vidigal, no Rio de Janeiro. Ele teve uma infância com muitas dificuldades econômicas, e isso se reflete em seu perfil de consumo hoje. "Acho que gasto com muita consciência", contou ele a Taís Araújo.

Com informações do site:  Uol