sábado, 20 de novembro de 2021

13º salário pode ajudar com o pagamento de contas


 
Foto: Reprodução

Milhões de brasileiros recebem no dia 30 a primeira parcela do tão aguardado 13º salário. No dia 20 de dezembro, é paga a segunda parcela. No total, o 13º deve injetar na economia cerca de R$ 232,6 bilhões, beneficiando aproximadamente 83 milhões de brasileiros, segundo estudo feito pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

Em um país com mais de 13,7 milhões de desempregados e 74,6% de famílias endividadas, esses recursos vão acabar favorecendo toda a economia, dando um respiro também a brasileiros que não têm acesso a esse direito. Mas a verdade é que esses bilhões de reais começam a circular mesmo a partir dos bolsos dos trabalhadores formais, com carteira assinada, aposentados e pensionistas.

Para essas pessoas que vão receber o 13º salário, então, o que vale mais a pena: pagar dívidas ou investir? Veja o que dizem consultores financeiros ouvidos pelo UOL.

Por ser uma renda extra, o ideal seria que esse dinheiro fosse usado para a pessoa poder investir e realizar planos. Mas a gente sabe que muita gente, talvez a maioria dos brasileiros, já programou o 13º mesmo para cobrir contas atrasadas.
Jhon Wine, vice-presidente da Abefin (Associação Brasileira dos Educadores Financeiros)

Como usar o 13º salário dependendo da situação
Especialistas dizem que não basta comparar taxas de empréstimos com rendimento de aplicações para a pessoa decidir o que fazer. Mais importante é cada um considerar a própria situação. Veja em qual delas você se encaixa.

Está muito endividado ou superendividado: Tem dívidas que somadas superam o valor do 13º. Nesse caso, a renda extra pode ajudar a compor o pagamento numa renegociação, mas isso não pode ser feito de imediato.

A recomendação é separar esse dinheiro, fora da conta corrente, para programar um melhor momento para negociar.

Nesse caso, o 13º deve ir para uma aplicação sem risco e com liquidez total, ou seja, que pode ser sacado a qualquer momento sem penalidades. São os casos de poupança, Tesouro Selic, CDB ou LCI de liquidez diária e fundos DI.

A primeira coisa é aplicar em algo com liquidez e tirar o 13º da conta. Esse dinheiro fica separado enquanto a pessoa vai negociando melhores condições para quitar o que deve.
Myrian Lund, planejadora financeira da Planejar

Tem dívida, mas está em dia: Se a pessoa tem dívida mas está pagando as parcelas em dia, sem apertos, o melhor é usar o 13º salário para começar uma reserva de emergência. Mesmo que o desconto seja interessante numa antecipação de empréstimo, de pouco vai adiantar reduzir ou quitar a pendência se, depois, a pessoa enfrentar uma adversidade e tiver que recorrer a um novo empréstimo – com juros que serão maiores, pois a Selic está mais alta que meses atrás.

Assim, o melhor é ter uma reserva de emergência.

Nada vai dar um retorno superior ao que a pessoa vai gastar se ela precisar tomar empréstimos para cobrir imprevistos.
Valter Police, planejador financeiro e sócio da Fiduc

Não tem dívidas, mas orçamento está no limite: Para quem não tem dívidas mas está com o orçamento no limite, ou seja, a renda está cobrindo apenas as despesas normais, a recomendação dos planejadores financeiros é apostar na reserva de emergência para fugir a todo custo do risco de cair em novas dívidas em 2022.

Os especialistas lembram que o começo de ano é marcado por gastos extras, como IPTU e IPVA, matrícula escolar, material e uniforme novos.

Quem já tem reservas: Para quem já tem o colchão de proteção financeira, o 13º salário pode ser então usado para antecipar pagamento de dívidas, ou para bancar objetivos de consumo. Podem ser de curto prazo, como aproveitar as festas de fim de ano para celebrar, presentear ou viajar, ou de longo prazo, para trocar de carro ou comprar o sonhado imóvel próprio.

Aqui, o primeiro passo é definir o objetivo, destacam os especialistas.

Só depois de definir o objetivo é que a pessoa vai saber por quanto tempo o dinheiro poderá ficar aplicado. E a partir disso é que se escolhe a aplicação.
Jhon Wine

Segundo consultores financeiros, a melhor aplicação vai depender do perfil de risco e dos objetivos de cada pessoa. Mas em linhas gerais, eles apontam essa divisão.

Objetivos de curto prazo, até 1 ano: aplicações sem risco e com liquidez, como as que servem para a reserva de emergência.
Objetivos de 1 a 5 anos: aplicações de renda fixa com prazo maior, como CDBs, LCIs e títulos do Tesouro com mais de um ano.
Objetivos acima de 5 anos: Esses acima, mais ações, fundos de ações, fundos multimercados e fundos imobiliários.
Taxas de dívidas x rendimento das aplicações
Profissionais de consultoria financeira destacam que as taxas de empréstimos são em geral maiores que o rendimento de aplicações de renda fixa.

Para comparar, enquanto a taxa básica de juros, Selic, que serve de referência para as aplicações de renda fixa, está em 7,75% ao ano, o custo de empréstimo mais barato de mercado para pessoa física, no crédito consignado para servidores públicos, é em média de 17,6% ao ano.

Então, pagar dívidas tende a ser mais vantajoso que aplicar o dinheiro. Desde que já tenha a reserva de emergência.

Mas esses mesmos especialistas dizem que, para ter disciplina financeira e estímulo para investir, é preciso buscar inspiração em prêmios que ajudem a tornar a vida menos dura.

Valor não está apenas no ganho financeiro. É importante dormir tranquilo, sem dívidas, ter uma reserva de emergência para proteger a família de imprevistos, ter investimentos para garantir o futuro, mas também é preciso viver o presente. Uma lembrança de Natal, uma comemoração, por mais simples que sejam e que caibam no orçamento, são importantes.

Com informações do site: Economia UOL