terça-feira, 26 de outubro de 2021

Juros de empréstimos atingem maior patamar desde início da pandemia


 
Foto: Reprodução
Com a alta da taxa básica de juros (Selic), o valor cobrado pelos bancos em novos empréstimos têm subido mês a mês. Em setembro, de acordo com dados divulgados nesta segunda-feira (25/10) pelo Banco Central, a média chegou a 21,6% ao ano, maior valor desde o início da pandemia da covid-19, em março de 2020. 

No último mês, houve elevação de 0,5 ponto percentual nos juros tanto para as famílias, que alcançaram 25,8% ao ano, quanto para as empresas, de 14,9% ao ano. Em resposta à crise sanitária, o BC iniciou um ciclo de cortes que levou a Selic ao menor nível da história, a 2% ao ano, em agosto do ano passado. Antes, em março de 2020, quando o vírus chegou ao país, a autoridade monetária cortou 0,5 ponto percentual na taxa básica, a 3,75% ao ano.

O economista autônomo Hugo Passos explica que a semana passada foi turbulenta, com risco de estourar o teto de gastos devido ao aumento do Auxílio Brasil. O mercado ficou agitado com a disparada do risco fiscal, mostrando que deverá ter uma inflação mais alta para 2021 e, para controlá-la, o Banco Central deverá subir ainda mais os juros”, explica.

“O mercado já aposta numa alta de 1,25 bps ou 1,50 bps (pontos básicos) para a próxima reunião desta quarta-feira (27). Com expectativa de uma Selic mais alta, as taxas de empréstimos/financiamentos devem seguir o mesmo fluxo, impactando negativamente no crédito para empresas e famílias”, afirma.

A economista Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro IBRE, diz que quanto maior o custo do crédito, menor será o consumo das famílias, com maior impacto nos itens que são relacionados com crédito, como bens duráveis. “É o resultado esperado. Política monetária mais apertada é um freio na demanda e isso ajuda a controlar a inflação. Mas a situação já é bem negativa e o PIB, hoje, deve ser revisto para baixo. Hoje estamos com 1,5%”, diz.

"Dar com uma mão e tirar com outra"
Segundo a coordenadora do Boletim Macro IBRE, a crise fiscal piora ainda mais este quadro, pois desancora as expectativas inflacionárias, demandando uma dose adicional de juros para controlar a inflação. “Fazer política social sem sustentabilidade é dar com uma mão e tirar com outra: menos emprego, mesmo crédito, menos renda. Não há política social que compense o desequilíbrio macro e baixo crescimento econômico”, aponta.

Com informações do site: CORREIO BRAZILIENSE