quarta-feira, 6 de outubro de 2021

‘Corda está esticando’: Com alta no preço do diesel, tanqueiros de Minas ameaçam parar a qualquer momento


 
Foto: Reprodução

Horas após a Petrobras anunciar nova alta no preço do diesel, nesta terça-feira (28), o Sindtanque-MG (Sindicato dos Transportadores de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais) anunciou que pode suspender as atividades a qualquer momento.

“A categoria não aguenta mais esta situação. Nenhuma categoria de transporte consegue pagar as suas dívidas, suas contas, devido ao preço absurdo que está o diesel”, declarou o presidente do sindicato, Irani Gomes.

Com o reajuste anunciado hoje pela Petrobras, o preço médio de venda do diesel A passa de R$ 2,81 para R$ 3,06 por litro (veja mais abaixo). A mudança entra em vigor na quarta-feira (29).

‘De quem é a culpa?’
O presidente do sindicato que representa os tanqueiros do estado questiona de quem é a responsabilidade pelos altos preços dos combustíveis no país. No início do mês, a categoria chegou a iniciar uma paralisação das atividades, reivindicando uma redução do valor do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviço) sobre o diesel.

“Um governo fica jogando para o lado do outro. O governo federal joga para o lado do estadual e o estadual para o governo federal. De quem é a culpa? De quem é a responsabilidade desses altos preços? Sabemos que a Petrobras, hoje, com seus acionistas, só pensa em lucros, só pensa em dinheiro e mais nada”, protesta Irani Gomes.

De acordo com o Sindtanque-MG, o diesel hoje representa mais de 60% do custo do frete. O representante da categoria afirma que trabalhadores do setor estão “pagando para trabalhar” e não conseguem se manter com os altos preços do combustível.

Paralisação
“Nós estamos pedindo para o governo, seja o federal, estadual, a Petrobras, que venha reduzir o preço abusivo que está o óleo diesel. Nós não conseguimos mais trabalhar. A corda está esticando. Estamos vendo a hora que o Brasil vai parar novamente, como aconteceu em 2018”, completa o presidente.

Irani Gomes se refere à greve dos caminhoneiros que afetou todo o Brasil em 2018. À época, a categoria, que não é a mesma dos tanqueiros, também pedia a redução dos preços de combustíveis. Em Minas Gerais, mais de 200 cidades chegaram a decretar situação de emergência e de calamidade por causa da paralisação.

“Então, pedimos aqui que o governo se sensibilize, que conversem uns com os outros, e junto à Petrobras. Não temos mais condições de trabalhar da maneira que está. Nós vamos cruzar nossos braços a qualquer momento se não houver nenhuma decisão referente ao preço dos combustíveis”, finaliza o representante dos tanqueiros.

Diesel em alta
A Petrobras anunciou hoje que vai aumentar o preço do diesel A para as distribuidoras. A partir de amanhã, o preço médio de venda nas refinarias passa de R$ 2,81 para R$ 3,06 por litro, um reajuste médio de R$ 0,25 por litro.

Nos postos de abastecimento, para o consumidor final, o preço deve subir R$ 0,22, considerando a mistura obrigatória de 12% de biodiesel e 88% de diesel. Segundo a empresa, o reajuste reflete “parte da elevação nos patamares internacionais de preços de petróleo e da taxa de câmbio”.

“Após 85 dias com preços estáveis, nos quais a empresa evitou o repasse imediato para os preços internos devido à volatilidade externa causada por eventos conjunturais, a Petrobras realizará ajuste no preço do diesel A para as distribuidoras”, informa nota da estatal.

Com informações do site: Agência Brasil