sábado, 16 de outubro de 2021

Aliados de Rui Costa criticam proibição a "paredões"; professora fala em criminalização da periferia


 
Foto: Reprodução

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), conseguiu gerar mal-estar entre os próprios aliados na quarta-feira (13). Em uma coletiva de imprensa, o chefe do Executivo Estadual anunciou que iria proibir a realização de festas “paredões" no Estado, a não ser que houvesse autorização da prefeitura e atuação da Polícia Militar. A fala repercutiu mal entre apoiadores e especialistas.

A declaração foi feita após uma chacina ocorrer no bairro do Uruguai, em Salvador, justamente em meio à realização de um paredão. "Não vamos permitir esses 'paredões' no meio das ruas. Se tem um evento que ela [a prefeitura] vai permitir fechamento de rua, som no meio da rua e aglomeração no meio da rua, tem que dar autorização formal e comunicar previamente a Polícia Militar para tomar providência. Fora isso, a partir de hoje que a polícia tome providência para não permitir a realização de nenhum 'paredão'".

Na avaliação de Aladilce Souza, presidente do PCdoB na capital baiana e aliada do governador, a discussão é mais complexa do que simplesmente proibir. "Eu acho legítima a preocupação do governador com a segurança, no entanto, é preciso analisar com mais cuidado e procurar, junto às prefeituras e até órgãos do Governo Federal, estabelecer políticas que realmente reduzam a violência", disse ao BNews.

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Rui Costa foi criticado também por correligionários. Nas redes sociais, a vereadora petista Maria Marighella ressaltou que o poder público não pode criminalizar manifestações populares. "Samba já foi proibido. Candomblés já foram proibidos. A proibição dos 'paredões' pelo Governador da Bahia, Rui Costa, não pode ser naturalizada", escreveu.

"Criminalização da periferia"

A professora da Unifacs Camila Farias, doutoranda em Cultura e Sociedade pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), segue a mesma linha das críticas. Para ela, a declaração do governador é mais um exemplo da tentativa de criminalizar as estéticas periféricas.

"Uma fala muito infeliz. Muito triste quando um gestor público se baseia a partir do senso comum. É muito clássico esse lugar de criminalizar estéticas periféricas. Aconteceu com a capoeira, samba e Candomblé. Criminalizar paredão em pleno século XXI, no meio desse processo de repensarmos o racismo estrutural em nosso país, é infeliz, mas demonstra um sintoma da nossa sociedade, que é racista, elitista", afirmou à reportagem.

Farias avalia que, quando a discussão é sobre segurança pública, a esquerda também tem um discurso equivocado. "Acho que não existe essa divisão binária [direita e esquerda] quando a gente fala em segurança pública. Acho que tanto esquerda, quanto direita vêm errando na questão das drogas, sistema carcerário, como a gente conduz o sistema judiciário", disse.

Presidente do PSB na Bahia, a deputada federal Lídice da Mata minimizou a declaração do governador. Para ela, foi uma fala em meio a um desabafo. "Eu entendo a angústia do governador diante da violência que aconteceu, mas paredão existe e é uma atribuição municipal. Imagino que o Governo do Estado esteja sentindo essa necessidade de discutir essa questão com os prefeitos. Vejo como um certo desabafo do governador", afirmou.

Bruno Reis

O prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM), ressaltou, nesta sexta-feira (15), que, para serem realizadas regularmente, as festas do tipo "paredão" sempre necessitaram de autorização da prefeitura. "Para festas serem realizadas fechando ruas, as prefeituras precisarão autorizar e comunicar à Polícia Militar previamente. Caso não haja autorização prévia, a PM deverá apreender os equipamentos sonoros", afirmou.

"Já era assim", ainda disse Reis, em entrevista à imprensa durante a inauguração da nova sede da Secretaria Municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre), no bairro do Comércio.

Com informações do site: BNews